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Quarta, 24 de Fevereiro de 2010 14:43
PRESÍDIO ANÍBAL BRUNO Presidiários gays são isolados para evitar humilhação PDF Imprimir E-mail

Os 16 detentos que teriam sido obrigados a raspar a cabeça por causa da opção sexual serão transferidos, provisoriamente, para sala de computação

Um dia após a denúncia de que 16 presos homossexuais teriam sido obrigados, na semana passada, a raspar a cabeça no Presídio Aníbal Bruno, no Sancho, Zona Oeste do Recife, a direção da unidade prisional, por solicitação do promotor Marcellus Ugiette, resolveu isolar os detentos para evitar mais constrangimento e humilhação. De acordo com o promotor, eles vão ser transferidos, de maneira provisória, dos pavilhões de origem para uma sala de computação da unidade prisional.


Ugiette revelou que, após ouvir os relatos dos presos, na tarde de ontem, ficou comprovado que os agentes penitenciários não foram responsáveis pela punição imposta ao grupo. “Eles relataram que os agentes não tiverem nenhuma participação nisso.” Dos 16 detentos, foi constatado que apenas sete estavam com o cabelo raspado. “Eles contaram que rasparam o cabelo após pressão psicológica dos outros presos, que não toleram homossexualismo na cadeia.”

O superintendente de Segurança Penitenciária, Isaac Wanderley, explicou que apenas um preso teve o cabelo raspado à força. “Esse detento havia se envolvido numa briga e a população carcerária raspou sua cabeça como represália.” Isaac informou que um pavilhão vai ser escolhido na unidade prisional para abrigar os detentos homossexuais.

Na tarde de ontem, além de representantes do Ministério Público, integrantes da Pastoral Carcerária e do Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões (Sempri) estiveram no Presídio Aníbal Bruno. Isaac Wanderley assegurou que, quinzenalmente, militantes de Direitos Humanos vão visitar o grupo de presos para avaliar a situação e anotar possíveis queixas. “A ONG Leões do Norte já fazia esse trabalho. Mas, agora, a cada 15 dias, integrantes de outras entidades vão visitá-los para saber se está tudo transcorrendo normalmente”, garantiu.

Ontem à tarde, no Presídio Aníbal Bruno, alguns policiais militares declararam apoio à punição imposta aos homossexuais. “É isso mesmo. Aqui é presídio masculino. Quem quiser se vestir de mulher que vá para a Colônia Penal Feminina, no Engenho do Meio”, dizia um PM a um grupo de amigos.

A homofobia nos presídios pernambucanos foi tema da série de reportagens Homossexualismo atrás das grades, do repórter Carlos Eduardo Santos, publicada pelo JC em julho do ano passado. Nas matérias, havia vários relatos de detentos sobre a punição aos que optam pelo homossexualismo. Alguns presos contaram que, dependendo da unidade prisional, eram obrigados a raspar o cabelo.

Um relatório detalhando casos de humilhação e tortura nas prisões pernambucanas, assinado em conjunto pela Pastoral Carcerária e pelo Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões (Sempri), deve ser entregue ainda esta semana a representantes do Ministério Público de Pernambuco, da Secretaria de Direitos Humanos e ao juiz-titular da Vara de Execuções Penais, Adeíldo Nunes.

Fonte: Jornal do Commercio

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