Em 2008, nas eleições municipais para prefeito do Recife, apoiamos, como é de conhecimento público, a candidatura de Carlos Eduardo Cadoca, em aliança com o PV.
Esse palanque foi possível, em parte, pelo apoio e articulação do governador Eduardo Campos, o qual, portou-se de forma politicamente desrespeitosa para com os partidos e líderes em questão, ao nosso juízo.
Essa foi a única motivação para o agravo público e político, que fizemos ao darmos a entrevista de ontem ao jornal Folha de Pernambuco, objeto de amplas reações contrárias por parte do governismo e seus áulicos.
Nada de pessoal contra a pessoa do governador, merecedor, política e institucionalmente, de todo nosso respeito, ou de quem quer que seja, dado que não fui nem sou afeito a personalismos e às práticas decorrentes de tal postura.
Reafirmamos, porém, cada palavra, cada frase e cada juízo daquela entrevista. Nela não faltei, por uma vez sequer, com a verdade. E, ainda que pareça pretensioso, todos os que acompanham a política pernambucana sabem que falei a verdade.
Sem dúvida, verdade inconveniente, a ser negada de modo quase uníssono; em alguns casos em nome de conveniências, em outros de interesses. De modo a produzir uma tal frente de negativas que, vista em conjunto, bem caberia num baile de máscaras de um palazzo florentino…
Pérola de sinceridade a denunciar e admitir tal mascarada, o sr. vice-governador João Lyra Neto diz tudo sobre todos, ao afirmar que “quem mais neste estado, se disporia a fechar um acordo político com este deputado, sabendo que (…) ele pode levar o assunto aos jornais?”.
Mas levar o que aos jornais, sr. vice-governador? Se segundo todos os seus, governador incluído neste rol, nós não dissemos absolutamente nada?…
E, se acordo houve, e houve, saiba que as duas partes estão submetidas às mesmas regras de respeito mútuo. Ou nenhuma delas está obrigada a uma reciprocidade inexistente de deveres.
Com o objetivo de formar uma visão abrangente e equilibrada da crise desatada pelo III Plano Nacional de Direitos Humanos, pretendo, assim que reabertos os trabalhos da Câmara dos Deputados, que acontecerá no dia dois de fevereiro, tomar as seguintes medidas:
a. Convidar os ministros Tarso Genro, da Justiça, e Nélson Jobim, da Defesa, a comparecerem à audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional para falar sobre o Plano e a crise resultante deste;
b. Convidar igualmente o secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, para falar sobre o III PNDH (*) e a Comissão da Verdade, que deverá apurar o que aconteceu quanto aos delitos praticados contra os direitos humanos no regime militar;
c. Enviar à ministra Dilma Roussef e ao residente Luiz Inácio Lula da Silva pedido de informações sobre a tramitação e processo de tomada de decisão que resultaram no decreto alusivo ao referido Plano.
É papel constitucional do Congresso Nacional fiscalizar e acompanhar os atos do Executivo. Assim, no caso presente, deve o parlamento tomar conhecimento oficialmente do que se passou no conflito que envolve as pastas da Defesa e da Justiça.
Ao mesmo tempo, a partir do que lemos na imprensa, caberá à Câmara dos Deputados e ao Senado apreciar o projeto de lei que cria a dita Comissão da Verdade, afinal, nada mais oportuno do que conhecer as intenções, objetivos e amplitude da referida Comissão.
(*) O PNDH I e II foram elaborados no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
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